10.9.11
A Estrada
5.2.11
Ela usa óculos, só podia.
Todos os dias, Daniel, passava frente à montra da loja onde ela trabalha. É um oculista. A loja não é muito grande, mas tem metros intermináveis de montra por onde ele passava, procurando disfarçar o olhar, que a procurava incessantemente. Ela usa óculos, só podia. Tem um longo cabelo liso, castanho e feições estreitas. Mas é o olhar, de uns enormes olhos castanhos que reluzem, mesmo que atrás de umas hastes de óculos, que o desconcerta. Aquele ritual de passar frente à loja durou meses e meses, sempre da mesma forma, cada um observando o outro, de cada vez que Daniel ia tomar o pequeno-almoço, na pastelaria ao lado.
Ontem não foi diferente, os olhares cruzaram-se novamente, enquanto ele passava frente à loja. Nos últimos dias, havia já um leve sorriso entre ambos, uma mistura de cumplicidade e mensagem que só quem se sente atraído descodifica. Ele seguiu o ritual de todos os dias, pediu o habitual e sentou-se numa mesa. Não se apercebeu que, desta vez, ela o seguiu até à pastelaria.
Ouviu uma voz calma, quente, dizer: Bom dia, será que me posso sentar, e fazer-lhe companhia ao pequeno-almoço?
4.12.10
Please just say yes...
10.11.10
Pálida folha
7.9.10
Talvez amanhã
1.9.10
Da minha janela
3.7.10
Obrigado Alegria
1.7.10
Sem ti
Maldito seja o tempo,
Inútil, a vida que vivi!
3.6.10
Ensaio nº1
Já escrevo desde 2002 em blogues e desde Março de 2006 numa coluna de opinião no Expresso de Felgueiras. Escrever passou a ser um acto prazeirento, de conforto, embora nem sempre pacífico.
Para mim a escrita tem que ser stressante, ter prazo, senão não faz sentido. Escrever sem prazo é como uma vida sem objectivos, sem orientação, sem caminho para percorrer. A escrita tem que vir das entranhas, tem que ser um processo de revolução interna, de revolta, grito ou gemido. O processo intelectual surge depois da obra, dizia há dias um escritor catalão na TSF. Não vou escrever nenhuma obra. São apenas as minhas histórias, a minha visão. Escrevo para expurgar a alma…