13.9.05

Gostei de te ver

O Zé (nome fictício) era um daqueles miúdos nascidos e criados num bairro social, que tinha na altura 13 anos. Era um daqueles putos irreverentes que quando partia a vidraça da casa do vizinho, não fugia, ficava ali a vê-lo enfiar a cara no buraco do vidro e a desfiar uma série de insultos, próprios de um filme português, ameaçando pregá-lo a uma cruz de cabeça para baixo. Não temia nada, nem ninguém. As nossas vidas cruzaram-se porque nessa altura, e a convite de um amigo meu monitor numa associação juvenil, estava a dinamizar a secção de xadrez da dita que funcionava num bairro social, que como todos os outros tinha, e tem, os seus problemas.
De inicio os putos, Zé incluído, olhavam para o tabuleiro de xadrez como quem olha para um brinquedo futurista, mas ao fim de uma semana era vê-los a jogar. Com eles vinham também alguns miúdos de etnia cigana, com quem faziam parelha, discutiam e até analisavam partidas (!!). Mas o Zé, não falava, não dizia nada, apenas observava e jogava com os outros miúdos, que ao fim de pouco tempo já estavam fartos de perder com ele. Até que um dia, no seu melhor estilo rezingão me lançou o desafio. – Queres jogar comigo? A forma de jogar era a mesma com que estava na vida, desafiador, sempre ao ataque e de todas as vezes eu derrotava-o – para o fim eram menos - e explicava-lhe como devia ter feito: ter calma, desenvolver as peças, o jogo e depois atacar, ter bases, como na vida. Ele não dizia nada, apenas jogava, observava, ouvia. Passei a emprestar-lhe livros, que ele lia, treinava. Tal como no jogo, na vida passou a ficar mais calmo, federei-o em conjunto com outros e formei uma equipa que inscrevi no campeonato. Ele progrediu e ficou um dos mais fortes jogadores da equipa. Quando o xadrez acabou por falta de apoios perdi-lhe o rasto. Até ontem, quando o vi, com a mulher e o filhote que levava ao colo a uma consulta no pediatra. Falou calmamente, confiante do alto dos seus quase 2 metros de altura, emprego estável, família também. Acho que aqueles tempos mudaram a vida dele… e a minha também. Gostei de te ver.

12.9.05

Não, não me esqueci



Apenas não me tinha lembrado!

E para não dizerem que tenho mau perder.

[a imagem foi gamada algures, que já não me lembro, mas logo que me ocorra ou me lembrem eu reponho os créditos]

[Imagem gentilmente gamada no Tugir]

Para aqueles que ainda têm dúvidas.


The benefits of children playing chess on WCBS-TV [veja o vídeo]




E ainda o vídeo de promoção do xadrez da American´s Foundation For Chess. Eles são profissionais, enquanto isso nós aqui estamos, é que não é só no futebol.

Que Deus nos livre e guarde

A propósito da mão de Deus. Já alguém parou para pensar no que seria se o Katrina, ou tragédia semelhante, em vez de atingir os EUA atingisse Portugal?

9.9.05

Xadrez em frases (10)

"Vejo que viajas constantemente. Quando estiveres só, quanto te sentires um estrangeiro no mundo, joga xadrez. Este jogo erguerá o teu espírito e será o teu conselheiro na guerra."
Aristóteles numa carta que escreveu ao seu discípulo Alexandre Magno