1.12.10

Estamos perante a primeira era de guerra cibernética?

Provavelmente. A divulgação de documentos classificados como “secretos” da administração dos EUA, veio trazer para a praça pública aquilo que muitos de nós já sabíamos ou, pelo menos, desfiávamos. Os EUA utilizam, e sempre utilizaram, os seus canais diplomáticos para espiar, ou, pelo menos, “recolher informações económicas e ou administrativas relevantes”. Claro que este conceito é muito lato e nele cabem muitas formas de recolha de informação. Do meu ponto de vista, a segunda fuga de informação (estão anunciados cerca de 250.000 documentos) não tem o impacto que teve a primeira – onde foram divulgados importantes informações sobre as operações militares no Afeganistão, colocando em perigo de vida todos os operacionais. Contudo a fuga cirúrgica de informação (só acontece com os EUA e aliados) revela uma orientação e um propósito em forma de ataque.
Não é por isso surpreendente que, ontem e hoje, o site WikiLeaks, tenha sofrido dois ataques para tentar bloquear o acesso ao mesmo. Depois de ter vindo a público o ataque do worm Stuxnet ao programa nuclear iraniano, estes ataques podem ser o inicio de uma nova era de guerras nos longínquos gabinetes.Os EUA têm já uma área especializada em guerra cibernética, dependente das forças armadas, como forma de evitar o sigilo de forças de segurança como a NSA, que controla a vigilância electrónica. Não será de espantar a intensificação dos ataques ao WikiLeaks quer via internet quer judicial. Uma coisa é certa também. O sistema de espionagem dos EUA, ou pelo menos o acesso a documentos vitais, vai sofrer profundas transformações.

10.11.10

Pálida folha

Ele estava sentado na cadeira de madeira escura e balanceava o corpo, enquanto olhava para a folha branca, pálida, vazia, que se encontrava na pequena mesinha, também da mesma madeira escura. Tamborilava com os dedos no braço da cadeira ao mesmo ritmo que as imagens daquilo que queria tanto escrever passavam na sua memória. Mas não conseguia escrever…
Tudo aquilo que alguma vez disse e fez, gostaria de repetir naquela pálida folha… mas não conseguia.
Queria descrever o calor que sentia no peito de cada vez que a via, aquele intenso calor que parecia nunca desaparecer, mesmo lembrando apenas o momento, o sorriso. Queria descrever o cheiro dela, que inundava as suas narinas, e ficava nas suas mãos de cada vez que tocava nas dela. O cheiro, tal como a memória, fica. Queria ter podido dizer tantas coisas que nunca lhe disse, pedido as desculpas que nunca pediu, amar as vezes que não amou… mas não conseguia escrever. Aquela folha, de um imaculado branco, teria de continuar assim. Era a memória dele, como se, ao riscar naquela folha os factos, com a mesma intensidade com que os tinha vivido, os perdesse da sua vida.
Olhou, uma vez mais, para a pálida folha pousada na superfície escura da mesinha, e com um sorriso, levantou-se, vestiu o casaco de lã espessa, colocou a chapéu e saiu com as suas memórias.

7.11.10

O novo capitalismo chinês

Vender em desespero. É isso que Portugal está a fazer neste momento. Primeiro com o caso de Chavéz e agora com a China. No primeiro, a humilhação pública da espera, da transmissão em directo do programa semanal do presidente, e da compra… do que já havia comprado. Voltou a comprar menos Magalhães do que aqueles que havia comprado e nunca havia pago.
Agora temos Hu Jintao, em visita oficial, anunciada como para comprar parte da nossa dívida. Para já, só pagamos os nossos juros, através de parcerias com a EDP, PT, BPI e BCP que lhe permitem entrada directa nos mercados onde somos concorrentes – Angola, Moçambique e Brasil - e logo através de nós. Agora aguardamos que na próxima venda de Dívida Pública – já esta semana – a China cumpra a sua parte, que não duvido o faça, tal como o fez com a França, Grécia e mesmo EUA onde já é o maior credor. Assim se faz o novo capitalismo chinês.

5.11.10

G's a mais

Confesso que não percebo a estratégia de Manuel Alegre. E não compreendo também a forma como se posiciona ideologicamente. Uma larga curva da esquerda bloquista até um piscar de olhos ao centro. Com tamanha força centrífuga ainda acaba fora de órbita.

18.10.10

The Best Brand. YOU !!!


Nunca, como hoje, foi tão importante a imagem pessoal. Não me refiro apenas aos profissionais de vendas, todas as áreas profissionais estão incluídas. Quer seja o Primeiro-Ministro de um país (com assessores nessa área) ou um mais humilde pedreiro, todos precisamos de vender a nossa “marca pessoal”.
Mas afinal o que é isso da “marca pessoal”? Todos nós criamos uma imagem nos outros, positiva ou negativa, com base em vários factores. Desde o aspecto físico, traje profissional, forma como cumprimentamos, relações profissionais, aconselhamento, capacidade técnica e aquele monte de coisas que quase todos sabemos por intuição. Mas, então, o que faz a diferença nos dias de hoje?
Desde tempos imemoriais que qualquer profissional vive da imagem que transmite e da quantidade de WOM (Word of Mouth) que gera. A vizinha gostou tanto do trabalho que o Sr. Manuel fez ao pintar a sua casa que vai aconselhar o serviço a quem dele precisa. Continuamos da mesma forma. Mas, atendendo ao nível de concorrência existente, a necessidade de estar sempre presente no mercado aumentou. A presença no mercado não tem que ser através do “marketing convencional”, publicitando os produtos/serviços, mas sim, de competências de serviço. Se existem dez pastelarias numa zona habitacional, o que faz com que aquela esteja sempre cheia e as outras não? Todas têm pão, pastelaria variada e a marca de café é a mesma. O que faz a diferença são as Competências do serviço. É a funcionária saber que eu tomo café àquela hora, como eu gosto do café e que tipo de pão compro e como gosto que vá acondicionado. É saber, por exemplo, que quando eu estou a ler o jornal ou um livro, não deve colocar a chávena de café do meu lado esquerdo, muito menos em cima do jornal! – facto que não percebo, já que a grande maioria da população é dextra. Por isso as competências do serviço são tudo, os pormenores são tudo e o serviço de excelência, o objectivo. Mas como chegar lá se ninguém sabe?
Aí entram as novas ferramentas: as redes sociais como o Facebook, Twitter, Linkdin, etc…
Primeira decisão que tem que tomar. Quer usar as redes sociais de uma forma “social” (desculpem a redundância), i.e., de uma forma de partilha de amizades, fotos de festas, encontrar e fazer amigos, ou, por outro lado, de uma forma profissional?
Se quer usar de uma forma profissional – é isso que abordo – deverá então maximizar o uso, dando a conhecer o que melhor tem: as suas Competências. Seja qual for a sua profissão, uma página de informações completa e esclarecedora, contactos profissionais – atenção que também anda por aí gente muito mal intencionada – ajuda numa primeira apresentação. O mais importante vêm a seguir. Os conteúdos da sua página, ou o que twitta, são a sua imagem e ninguém vai contratar um profissional, se as fotos em que aparece forem de festas onde está embriagado! Escreva sobre o que faz (seja o que for!), mostre novas ideias, tendências, alternativas e porque as defende. Seja fiel e constante às suas ideias e justifique. Mas todos nós queremos conhecer “a pessoa por trás do fato” e por isso, os seus gostos pessoais, as suas músicas, os seus livros, também podem lá estar, afinal fazem parte da sua marca: VOCÊ !!