28.2.13

Responsabilidade…

Em agosto de 2012 foi aprovada a lei 50/2012 que aprovou o regime jurídico da atividade empresarial local e das participações locais. Tal diploma veio desde logo levantar inúmeros problemas às autarquias, sendo que o principal é o que fazer com as empresas municipais e com aquelas onde as autarquias têm participação de capital.
Felgueiras não é exceção e a lei define, grosso modo, e para além de outras soluções, a dissolução de empresas municipais deficitárias, ou cujas atividades ou serviços não cumpram com o requisito essencial de prossecução do interesse público, dando-lhes um prazo de seis meses. Nesse sentido a câmara municipal de Felgueiras decidiu que as empresas municipais EMAFEL e ACLEM fossem dissolvidas por não se verificarem os requisitos financeiros, sendo que os serviços vão ser adequados, fundidos, e por outro lado extintos, aqueles que não visem o interesse público, ou que, mesmo que se verifique, o Tribunal de Contas considere que não é uma atividade que deva ser sustentada pela autarquia.
Depois, temos a empresa EPF, lda., que não sendo uma empresa municipal, a câmara detém 99% do seu capital social. Agora surge - ou é criado – o problema. Não podendo a câmara municipal manter a situação da empresa detentora da Escola Profissional de Felgueiras, pelos imperativos legais já referidos, que fazer? A câmara optou, tendo que cumprir o prazo de seis meses legalmente imposto, por aprovar uma autorização para dissolver a sociedade nos mesmos moldes que a EMAFEL e ACLEM, podendo depois criar numa nova empresa para dar suporte à atividade letiva ou, eventualmente, vender a sua participação na dita sociedade. Até aqui nada de novo… e é então lançado o pânico entre professores e alunos, por entre sombras de fecho de escola e de despedimentos.
Vejamos: a EPF é uma escola profissional de referência na região, têm sido inúmeros os seus sucessos – veja-se o caso da robótica e do calçado para referir apenas dois – tem sido sempre um parceiro estratégico da autarquia no “Descalço” tendo continuado a ter esse papel durante a mudança de liderança da autarquia, não haveria de ser de outra forma. Ninguém, nem mesmo a câmara, desvaloriza a importância da instituição. Por outro lado, a câmara já devia ter resolvido esta questão da participação no capital social da EPF há muito tempo, a situação não é nova, já tem vinte anos. Durante, pelo menos, dezassete anos Fátima Felgueiras enquanto vereadora da educação e depois presidente de câmara pôde resolver a questão, mas optou por não o fazer. Agora, na oposição, critica a solução provisória tomada (convém não esquecer que tomada por imperativo legal). É legítimo que o façam todos enquanto oposição, é legítimo que quem tem interesses no negócio tome as suas posições, o que não é legítimo e admissível é que usem uma instituição, o seu corpo docente, os seus alunos, os pais, como arma de arremesso e combate político. A EPF é muito mais importante que isso, são vidas que ali se desenrolam, são futuros, são profissionais dedicados e empenhados a quem lhes foi dito que perderiam os empregos quando, na pior das hipóteses e em absurdo, teriam que ser “absorvidos” pela autarquia. Nada de mais errado. É completamente legítima e pretendida a luta da oposição, quanto mais forte for a oposição mais forte terá que ser o executivo e todos nós munícipes iremos beneficiar disso, mas não vale tudo! As pessoas que destruíram um estádio municipal, por causa de uma única prova de motociclismo (facto irrefutável) não podem vir dizer que este executivo destrói o ensino profissional (facto altamente especulativo) quando existem soluções legais e previstas para que haja uma continuidade tranquila e pacífica. Atentado ao património físico e desportivo (naquele caso) foi o que fizeram… mas isso são águas passadas.

A única coisa que me importa enquanto munícipe é que todo o processo decorra com tranquilidade e segurança para todas as partes e, até prova em contrário, confio na boa-fé da autarquia para a continuação da excelência promovida pela EPF.
Expresso de Felgueiras, 28 fev'13

24.2.13

Heróis e Generais

Somos um país com mais de cinquenta Generais e Almirantes, quando na II Guerra Mundial alguns Generais aliados eram responsáveis por áreas superiores à de Portugal.
Portugal tem uma 'dívida' às forças armadas com juros muito elevados. Entretanto sempre podem ir jogando às guerras ou reunir-se para discutir o futuro das forças armadas.

7.2.13

O Costa é que a sabe toda (*)


António José Seguro arrisca-se a ser outro Ferro Rodrigues. Aguentar o embate frontal, fazer a travessia do deserto e dinamitar o governo para que António Costa, acione o mecanismo que vai fazer desabar o governo.
O partido socialista tem esta apetência particular para lutas fratricidas na hora da tentativa de assalto ao poder com uma intensidade superior – pelo menos pública – que os outros partidos políticos. O poder sempre foi tentador e o assassínio político uma ferramenta para a concretização dos objetivos.

Todos sabíamos que Seguro seria um líder a prazo, a não ser que os tabus – António Costa e António Vitorino – nada fizessem. António Costa fez, ou melhor, outros fizeram com que acontecesse. O sempre omnipresente braço direito de José Sócrates, Pedro Silva Pereira, em conjunto com Francisco Assis e Sérgio Sousa Pinto encarregaram-se de fazer acontecer agora, “por acaso” a crise de liderança socialista. E vão manter Seguro em lume brando até ao momento que deixe de ter condições para liderar. António Costa impõe condições para que Seguro una o partido e ainda estabelece prazo até ao dia 10 de Fevereiro!

Mas Seguro geriu mal todo o processo. Começou por tentar desvalorizar os avanços da oposição interna, deixou subir de intensidade a discussão pública para depois tentar fechar tudo nos órgãos do partido. Como diria Irina Golovanova, especialista em linguagem corporal, Seguro dizia uma coisa e o seu corpo mostrava toda a preocupação e desconforto perante a situação. Da mesma forma, foi interessante analisar o comportamento de Pedro Silva Pereira no momento em que António Costa proferia umas declarações à saída da reunião da comissão política e, do meu ponto de vista, é mesmo uma questão de tempo até Seguro ser afastado.

Em Felgueiras, a câmara municipal em parceria com a ANIMAR e a ADERSOUSA realizou uma ação de sensibilização para as redes colaborativas de produção local. Coisa de pouca monta, dirão alguns, mas muito importante na minha opinião. É com ações como estas que se mudam as atitudes enraizadas de gerações de negócios em busca de novos produtos e/ou melhoria dos existentes como forma de criar valor no produto e assim aumentar as vendas criando ou abrindo novos mercados. Agora só falta mesmo que surjam ideias, que sejam colocadas em prática e que, mais importante, os empresários e produtores vejam uma oportunidade de, em conjunto, se tornarem mais fortes.

(*) Expresso de Felgueiras, 1 fevereiro 2013

30.1.12

O que pode fazer pelos mediadores?


É um hábito. E é tão nosso como o fado. Quando atingidos por alguma “desgraça”, nunca é por nossa culpa, mas sim o destino que nos atinge, algo de inevitável que devemos aceitar e conformarmo-nos. Se não ficarmos conformados, sempre podemos pedir ao Estado um qualquer apoio, ou então que se alterem as leis. Somos peritos nisso – alterar leis para que melhor se adaptem à atual circunstância, ou ao nosso setor de atividade.
Foi isso que hoje ouvi dizer, novamente, da boca de Luís Lima, presidente da APEMIP.
Diz ele que as imobiliárias andam pela rua da amargura, que não vendem, que está cada vez mais difícil. São as penhoras e consequentes retomas dos bancos - 6.900 em 2011, das quais 29,9% são de promotores imobiliários – que fazem baixar os preços porque são colocadas no mercado a um preço inferior. Até ao ano passado eram os bancos porque avaliavam os imóveis muito abaixo dos preços de mercado inviabilizando os financiamentos.
Solução? Enviar um documento ao governo com propostas que passam por alterações legislativas e, no passado recente, que tivessem sido criados incentivos ao investimento na reabilitação urbana.
Não há absolutamente nada que seja feito em Portugal que não tenha que ter a cobertura do Estado? Ser empresário é ter a capacidade de risco, de empreender, de criar e implementar as melhores soluções perante os obstáculos.
No final de 2007, fiz, na empresa onde era diretor comercial, em conjunto com a equipa, uma análise da relação “valor da venda / valor financiamento / valor avaliação” para todas as transações do ano e verifiquei que o valor médio da avaliação tinha caído cerca de 3,7% desde o início do ano na nossa zona de intervenção. Medida para o ano seguinte? Fazer repercutir nos Estudos de Mercado e no melhor aconselhamento dos clientes esses mesmos valores.
Principais dificuldades? Começando desde logo pelos Angariadores da equipa que querendo fechar angariações lutavam num mercado tradicionalista contra comissões mais baixas, contratos “em aberto” e o pior dos problemas, aceitavam a comercialização por qualquer preço. Mas assim que conseguiram ver que os resultados apareciam deixou de haver problema para termos uma solução. Só assim se conseguiu quase triplicar o volume de vendas. Depois a maior de todas: não há mercado para construção nova e o foco deverá estar sempre, mas sempre no cliente particular (na generalidade, claro).
Durante todo este tempo assisti ao antecessor de Luís Lima na APEMIP, criticar a rede RE/MAX porque lançou os saldos de imóveis, porque lançou em Portugal o conceito de “Open House”. Que isso provocava um distorção dos valores de mercado, etc.. A própria “rede” da APEMIP assim como a maioria das outras redes vieram seguir a RE/MAX quando verificaram os bons resultados obtidos.
Não me recordo de alguma vez ter assistido a uma iniciativa do presidente da APEMIP a reunir com os seus associados a fazer uma análise do mercado e a indicar um caminho a seguir, a reconhecer o óbvio – os preços estavam elevados e não há mercado para habitação nova – e a implementar medidas para isso. Só que existe um problema que a APEMIP padece: a demasiada proximidade com os promotores imobiliários e os seus grandes interesses. É que, não sei se repararam, mas cerca de 30% das dações em pagamento foram feitas por promotores imobiliários.
Acho que está na hora do presidente da APEMIP perguntar o que ele pode fazer pelos mediadores e não o que estes podem fazer por ele.

10.9.11

A Estrada

Dei o nome a este blogue "Estrada Nacional 101" porque esta foi a estrada que me trouxe, mas também será aquela que me levará.
Tal como a estrada da vida, tem longas rectas, em que tudo é plano, claro, com horizonte a perder de vista. Mas também tem curvas, estreitas, esguias, debaixo da sombra das árvores, onde o tempo teima em não passar.
A vida tem disto; zonas de sombra e de luz, do tempo que não passa até que já passou.
O importante mesmo é que se saiba estar na direcção correcta, nem que seja a errada. A decisão está tomada.

5.2.11

Ela usa óculos, só podia.

Todos os dias, Daniel, passava frente à montra da loja onde ela trabalha. É um oculista. A loja não é muito grande, mas tem metros intermináveis de montra por onde ele passava, procurando disfarçar o olhar, que a procurava incessantemente. Ela usa óculos, só podia. Tem um longo cabelo liso, castanho e feições estreitas. Mas é o olhar, de uns enormes olhos castanhos que reluzem, mesmo que atrás de umas hastes de óculos, que o desconcerta. Aquele ritual de passar frente à loja durou meses e meses, sempre da mesma forma, cada um observando o outro, de cada vez que Daniel ia tomar o pequeno-almoço, na pastelaria ao lado.

Ontem não foi diferente, os olhares cruzaram-se novamente, enquanto ele passava frente à loja. Nos últimos dias, havia já um leve sorriso entre ambos, uma mistura de cumplicidade e mensagem que só quem se sente atraído descodifica. Ele seguiu o ritual de todos os dias, pediu o habitual e sentou-se numa mesa. Não se apercebeu que, desta vez, ela o seguiu até à pastelaria.

Ouviu uma voz calma, quente, dizer: Bom dia, será que me posso sentar, e fazer-lhe companhia ao pequeno-almoço?

17.1.11

Vai acabar na prateleira

Manuel Alegre não esperava que corresse assim. Quando avançou com a candidatura, contava levar o PS e o seu eleitorado atrás. O posicionamento de José Sócrates ao centro-direita, assim como das suas politica sociais, colidem com a ideologia de Manuel Alegre, de uma esquerda mais próxima do PCP e BE como se verifica pelos apoios obtidos. O fim do Estado Social que tanto defende, assim como a política económica seguida, afastam-no do PS de José Sócrates, quando não está frontalmente contra. Este equilíbrio de gestão, impossível de fazer, não é compreendido pelo eleitorado de centro-direita, que, tendo votado em Sócrates, votará maioritariamente em Cavaco Silva.

Resta a Manuel Alegre tentar galvanizar todo o eleitorado à esquerda, procurando provocar a segunda volta. Aliás, todo o discurso radicalizado dos últimos dias, aponta para uma abdicação da luta pela vitória, pela luta da pela sobrevivência política. Uma derrota sem segunda volta, com um mau resultado, e Alegre passa à prateleira dos históricos fundadores do PS.

27.12.10

A última crónica

O ano de dois mil e dez não deixará saudades à grande maioria dos portugueses. Uma economia mundial que ainda cambaleia depois do enorme trambolhão de dois mil e oito, agravada por uma completamente errada estratégia deste governo socialista, que, em Junho de dois mil e nove, informava os portugueses que a “crise já passou”. Aquilo que se viu, foi a enorme falência do Estado Social, fruto de erros como criar uma sociedade de subsidiodependentes, parasitas da sociedade e Estado. Depois disso, a falta de liquidez causada pela enorme necessidade de financiamento do Estado com a Despesa Pública, faz o resto do serviço, com os especuladores a tirarem partido disso. Quando se está em dificuldades há sempre um agiota disposto a tudo. Depois, o remédio utilizado, tipo emplastro, é o usual e que dá para todos os males: aumento generalizado de impostos, naquele que é o país com uma das maiores cargas fiscais da Europa.
O ano de dois mil e dez foi também o primeiro ano da coligação Nova Esperança, entre o PSD/CDS-PP à frente da gestão da câmara municipal de Felgueiras. As expectativas criadas à volta da coligação, e que levaram à vitória desta, são muito elevadas. Estando estas numa fasquia muito elevada, - foram muitos anos de poder socialista, de letargia, de erros grosseiros, de adiamentos sucessivos de obras fundamentais – é natural que a grande maioria dos eleitores esperasse por “grandes obras” no primeiro ano. Como é normal também, nenhuma autarquia começa e acaba “grandes obras” no primeiro ano, muito menos quando se está pela primeira vez no poder. Com isto, não quero dizer que a juventude da equipa se equipare a menos trabalho. São trinta e cinco anos de poder socialista, com uma máquina partidária instalada na autarquia, hostil a mudanças e quiça frontalmente contra em algumas questões. Normalmente, num mandato autárquico, os dois últimos anos são aqueles em que aparecem as grandes obras emblema do período. Mas, na minha opinião, a Nova Esperança poderia ter feito melhor em algumas áreas. Desde logo, a forma como geriu alguns processos, nomeadamente: a auditoria às contas – anunciada e nunca efectivamente efectuada – a NE teria saido beneficiada, pela transparência do processo se, de facto a tivesse realizado; as dívidas a fornecedores que, em catadupa apareceram na câmara e nos tribunais, tornadas públicas e que, depois de contestadas pela oposição responsável pelas mesmas, deixou cair o assunto ou, pelo menos, o retirou da praça pública. Há questões incontornáveis e, evitar esse assunto, para que Fátima Felgueiras não tenha o palco mediático da habitual vitimização, pode ser uma estratégia arriscada. E por último, a questão das obras herdadas do anterior executivo. A oposição socialista e Fátima Felgueiras, as duas faces da mesma moeda, fazem tudo o que podem para dizerem alto e bom som, com razão, que as obras não são deste executivo. Nada mais verdadeiro. Contudo, gostava também que os mesmos assumissem os problemas de projectos (quando não se trata de verdadeiros erros), das soluções e engenharias financeira combinadas, que outros tiveram que solucionar. Mesmo debaixo de fogo a NE não entrou no jogo do empurra. Assumiu, e pagou as consequências dos actos de outros.
Por outro lado, mesmo com apenas um ano de gestão autárquica, a Nova Esperança, já cumpriu com algumas das suas promessas, nomeadamente a questão da atribuição dos livros gratuítos no 1º ciclo e o apoio social a idosos, com medidas práticas e úteis para que as normalmente duas áreas mais fragilizadas – crianças e idosos – estejam mais protegidas em tempo de tantas dificuldades. Estas foram duas das grandes bandeiras da coligação.
Esta é a última crónica do ano de dois mil e dez. Talvez nos voltemos a ver em dois mil e onze. Até lá, boas Festas!!

10.12.10

Wikileaks, a hipocrisia

Uma hipocrisia. Assim defino toda a situação do caso WikiLeaks.
Começou por parecer uma ameaça velada de uma meia dúzia de “cruzados” pela “verdade” e depressa evoluiu para a divulgação de informação sensível. Quando refiro sensível, quero dizer informação que coloca directa ou indirectamente vidas humanas em perigo, como foi o caso das revelações sobre o Iraque e Afeganistão.
Depois disso, as questões diplomáticas viraram novelas mais ou menos expostas conforme a visibilidade dos alvos. Os defensores das revelações totais, como forma de expor a “verdade” (seja isso o que for), dizem que o mundo é hipócrita e que o monstro imperialista (ainda andam nessa fase?) deve ser exposto.
O que é hipocrisia é o facto de ainda existir quem pense que as embaixadas não são centros privilegiados de informação, de recolha de informação sensível, seja esta política, económica ou militar. Só quem não está minimamente atento é que não sabe isso. E como acho que quem usa desse argumento está atento, só pode ser hipócrita.
Outra questão é a revelação da alegada espionagem feita ao Secretário-geral da ONU. Essa sim, pertinente do ponto de vista informativo. Agora o site deve escolher onde se quer posicionar. Uma fonte de informação responsável e não sensacionalista ou a via de um qualquer tablóide.

4.12.10

Please just say yes...

Please just say yes… cantarolava enquanto acabava de se vestir. Era um dos melhores dias dos últimos tempos. Ia revê-la ao fim de muito tempo. Já nem conseguia lembrar-se de quanto. Mas isso não interessava para nada, tal como o facto de já não estarem juntos, dela já não o amar, de não partilharem os momentos, as cumplicidades dos olhares e o calor do desejo… rapidamente afastou os pensamentos e sorriu. Nem acreditava que a ia ver, novamente. Os olhos castanhos, as pestanas grandes, as sardas na cara… estaria ainda assim? Não interessava, acabou a música e desligou o iPod, pegou nas chaves, olhou para o Martin, o seu gato persa que jazia esparramado no sol que iluminava o sofá e esboçou um sorriso. Ia voltar a ver o amor da sua vida e isso já valia a pena.

1.12.10

Estamos perante a primeira era de guerra cibernética?

Provavelmente. A divulgação de documentos classificados como “secretos” da administração dos EUA, veio trazer para a praça pública aquilo que muitos de nós já sabíamos ou, pelo menos, desfiávamos. Os EUA utilizam, e sempre utilizaram, os seus canais diplomáticos para espiar, ou, pelo menos, “recolher informações económicas e ou administrativas relevantes”. Claro que este conceito é muito lato e nele cabem muitas formas de recolha de informação. Do meu ponto de vista, a segunda fuga de informação (estão anunciados cerca de 250.000 documentos) não tem o impacto que teve a primeira – onde foram divulgados importantes informações sobre as operações militares no Afeganistão, colocando em perigo de vida todos os operacionais. Contudo a fuga cirúrgica de informação (só acontece com os EUA e aliados) revela uma orientação e um propósito em forma de ataque.
Não é por isso surpreendente que, ontem e hoje, o site WikiLeaks, tenha sofrido dois ataques para tentar bloquear o acesso ao mesmo. Depois de ter vindo a público o ataque do worm Stuxnet ao programa nuclear iraniano, estes ataques podem ser o inicio de uma nova era de guerras nos longínquos gabinetes.Os EUA têm já uma área especializada em guerra cibernética, dependente das forças armadas, como forma de evitar o sigilo de forças de segurança como a NSA, que controla a vigilância electrónica. Não será de espantar a intensificação dos ataques ao WikiLeaks quer via internet quer judicial. Uma coisa é certa também. O sistema de espionagem dos EUA, ou pelo menos o acesso a documentos vitais, vai sofrer profundas transformações.

10.11.10

Pálida folha

Ele estava sentado na cadeira de madeira escura e balanceava o corpo, enquanto olhava para a folha branca, pálida, vazia, que se encontrava na pequena mesinha, também da mesma madeira escura. Tamborilava com os dedos no braço da cadeira ao mesmo ritmo que as imagens daquilo que queria tanto escrever passavam na sua memória. Mas não conseguia escrever…
Tudo aquilo que alguma vez disse e fez, gostaria de repetir naquela pálida folha… mas não conseguia.
Queria descrever o calor que sentia no peito de cada vez que a via, aquele intenso calor que parecia nunca desaparecer, mesmo lembrando apenas o momento, o sorriso. Queria descrever o cheiro dela, que inundava as suas narinas, e ficava nas suas mãos de cada vez que tocava nas dela. O cheiro, tal como a memória, fica. Queria ter podido dizer tantas coisas que nunca lhe disse, pedido as desculpas que nunca pediu, amar as vezes que não amou… mas não conseguia escrever. Aquela folha, de um imaculado branco, teria de continuar assim. Era a memória dele, como se, ao riscar naquela folha os factos, com a mesma intensidade com que os tinha vivido, os perdesse da sua vida.
Olhou, uma vez mais, para a pálida folha pousada na superfície escura da mesinha, e com um sorriso, levantou-se, vestiu o casaco de lã espessa, colocou a chapéu e saiu com as suas memórias.

7.11.10

O novo capitalismo chinês

Vender em desespero. É isso que Portugal está a fazer neste momento. Primeiro com o caso de Chavéz e agora com a China. No primeiro, a humilhação pública da espera, da transmissão em directo do programa semanal do presidente, e da compra… do que já havia comprado. Voltou a comprar menos Magalhães do que aqueles que havia comprado e nunca havia pago.
Agora temos Hu Jintao, em visita oficial, anunciada como para comprar parte da nossa dívida. Para já, só pagamos os nossos juros, através de parcerias com a EDP, PT, BPI e BCP que lhe permitem entrada directa nos mercados onde somos concorrentes – Angola, Moçambique e Brasil - e logo através de nós. Agora aguardamos que na próxima venda de Dívida Pública – já esta semana – a China cumpra a sua parte, que não duvido o faça, tal como o fez com a França, Grécia e mesmo EUA onde já é o maior credor. Assim se faz o novo capitalismo chinês.

5.11.10

G's a mais

Confesso que não percebo a estratégia de Manuel Alegre. E não compreendo também a forma como se posiciona ideologicamente. Uma larga curva da esquerda bloquista até um piscar de olhos ao centro. Com tamanha força centrífuga ainda acaba fora de órbita.

18.10.10

The Best Brand. YOU !!!


Nunca, como hoje, foi tão importante a imagem pessoal. Não me refiro apenas aos profissionais de vendas, todas as áreas profissionais estão incluídas. Quer seja o Primeiro-Ministro de um país (com assessores nessa área) ou um mais humilde pedreiro, todos precisamos de vender a nossa “marca pessoal”.
Mas afinal o que é isso da “marca pessoal”? Todos nós criamos uma imagem nos outros, positiva ou negativa, com base em vários factores. Desde o aspecto físico, traje profissional, forma como cumprimentamos, relações profissionais, aconselhamento, capacidade técnica e aquele monte de coisas que quase todos sabemos por intuição. Mas, então, o que faz a diferença nos dias de hoje?
Desde tempos imemoriais que qualquer profissional vive da imagem que transmite e da quantidade de WOM (Word of Mouth) que gera. A vizinha gostou tanto do trabalho que o Sr. Manuel fez ao pintar a sua casa que vai aconselhar o serviço a quem dele precisa. Continuamos da mesma forma. Mas, atendendo ao nível de concorrência existente, a necessidade de estar sempre presente no mercado aumentou. A presença no mercado não tem que ser através do “marketing convencional”, publicitando os produtos/serviços, mas sim, de competências de serviço. Se existem dez pastelarias numa zona habitacional, o que faz com que aquela esteja sempre cheia e as outras não? Todas têm pão, pastelaria variada e a marca de café é a mesma. O que faz a diferença são as Competências do serviço. É a funcionária saber que eu tomo café àquela hora, como eu gosto do café e que tipo de pão compro e como gosto que vá acondicionado. É saber, por exemplo, que quando eu estou a ler o jornal ou um livro, não deve colocar a chávena de café do meu lado esquerdo, muito menos em cima do jornal! – facto que não percebo, já que a grande maioria da população é dextra. Por isso as competências do serviço são tudo, os pormenores são tudo e o serviço de excelência, o objectivo. Mas como chegar lá se ninguém sabe?
Aí entram as novas ferramentas: as redes sociais como o Facebook, Twitter, Linkdin, etc…
Primeira decisão que tem que tomar. Quer usar as redes sociais de uma forma “social” (desculpem a redundância), i.e., de uma forma de partilha de amizades, fotos de festas, encontrar e fazer amigos, ou, por outro lado, de uma forma profissional?
Se quer usar de uma forma profissional – é isso que abordo – deverá então maximizar o uso, dando a conhecer o que melhor tem: as suas Competências. Seja qual for a sua profissão, uma página de informações completa e esclarecedora, contactos profissionais – atenção que também anda por aí gente muito mal intencionada – ajuda numa primeira apresentação. O mais importante vêm a seguir. Os conteúdos da sua página, ou o que twitta, são a sua imagem e ninguém vai contratar um profissional, se as fotos em que aparece forem de festas onde está embriagado! Escreva sobre o que faz (seja o que for!), mostre novas ideias, tendências, alternativas e porque as defende. Seja fiel e constante às suas ideias e justifique. Mas todos nós queremos conhecer “a pessoa por trás do fato” e por isso, os seus gostos pessoais, as suas músicas, os seus livros, também podem lá estar, afinal fazem parte da sua marca: VOCÊ !!

7.9.10

Talvez amanhã

Não era a primeira vez que nela reparava. Pensando bem, nas últimas semanas, dava por mim ansioso para apanhar a carreira 15. Sabia que duas paragens à frente ela entraria. Normalmente vestida de uma forma executiva, saia e casaco, apesar do calor que se faz sentir, o que me leva a pensar que seja advogada, bancária, administrativa, ou outra coisa qualquer que, não interessando para nada, rapidamente afasto do pensamento. Tem o cabelo longo, liso, tocando com as pontas nos ombros que tapa o rosto quando se senta, havendo lugar. Esforcei-me ao longo das semanas para ir ganhando lugares a meio do autocarro, contrariando aquele hábito de que quando vazio o autocarro ir para o fundo, talvez como se isso permitisse estar mais tempo longe de um trabalho que odeio, e percebi que era uma mulher de hábitos, sempre que entrava sorria brevemente para o habitual motorista e sendo um sorriso de cumprimento e circunstância, não deixava de ser lindo, mostrando os dentes brancos e perfeitamente alinhados, a sua cara estreita e com o queixo bem delineado, tem uns lábios finos, reluzentes de bem hidratados ou fruto do batom, com olhos de um cinzento água que hipnotiza quem para eles olha directamente. Senta-se sempre numa das três primeiras filas depois de guardar o passe num bolso da sua carteira. Isso permitiu ver, num dos dias, que tinha uma foto de uma criança, não sei se menino ou menina, presumi que seja casada, mas nos longos dedos que terminam numas unhas sempre bem cuidadas, não vi aliança, apenas um anel, antigo pelo aspecto, talvez uma jóia de família… talvez seja divorciada, ou a criança um sobrinho ou afilhado… talvez. Pensava isto tudo em apenas duas paragens, tinha decidido que, aproveitando a viagem de cerca de vinte e cinco minutos, já que ela saia apenas uma antes de mim, teria que arranjar forma de conversar com ela. Ela ainda não tinha reparado em mim, conforme eu ia avançando, com coragem crescente, nas filas do autocarro nos dias e semanas que passaram. Era o meu momento do dia, só meu, em que eu me sentia bem com os meus pensamentos, idealizando como seria ela. Hoje vou sentado na terceira fila do lado direito, junto à janela… talvez ela repare em mim enquanto aguarda na fila para entrar, até porque tinha decidido cumprimentá-la pela primeira vez. Com o dobrar da esquina o meu coração acelera enquanto o autocarro abranda para parar, estão três pessoas na paragem e nenhuma delas é ela, que aconteceu? Dei por mim a pedir para que a velha gorda não conseguisse subir rapidamente os degraus, dando tempo para que ela chegasse caso estivesse atrasada, mas a velha parecia um acelerador de partículas e já estava a sentar-se ao meu lado quando o meu olhar e pensamento regressou para dentro do autocarro, o motorista fechou a porta e arrancou, naquele momento via-a dobrar a esquina em passo acelerado e ainda esboçou o gesto de levantar o braço como que a chamar a atenção do motorista. Pela primeira vez perdeu o autocarro e tinha que ser logo hoje, olhei para o lado e sorri para a forte atleta que estava sentada ao meu lado, recordando os pensamentos de há momentos… talvez amanhã.

1.9.10

Da minha janela

Dia após dia perscruto daquela janela na ansiedade de te ver passar… mas não passas, não te vejo, não aqueço o meu corpo com o teu sorriso. Cada dia que não te vejo, ardo de preocupação com o que terá acontecido, para não passares na minha janela àquela hora. Terás ido hoje por outro caminho… quem sabe. Esperarei todos os dias há mesma hora, mas quem sabe se o caminho que escolheste já passa debaixo de outra janela… Não sei

3.7.10

Obrigado Alegria

São noites quentes e manhãs frescas. A neblina traz os aromas de onde passa, tal como a janela, aberta na noite, traz o teu cheiro. São manhãs inconsoláveis de solidão, de saudade. Breves, doces e quentes palavras aquecem o meu peito como o fogueiro aquece a fornalha. Gosto tanto deste calor, colorido pelo teu sorriso, pelos teus olhos, pelo teu jeito de ser. Obrigado Alegria!

1.7.10

Sem ti

Se algum dia o tempo me apagar de ti:
Maldito seja o tempo,
Inútil, a vida que vivi!