13.2.15
Estás à procura de ideias para o dia dos namorados? Não procures...
Faz o que devias fazer todos os dias... estende a mão, sorri. Entrega-te sem medo de te magoares, erra, chora e sorri... diz-lhe o que sentes, sem medo!
Aceita-te, aceita-o. Somos imperfeitos. Somos perfeitos. Ama.
1.2.15
Habemus Syriza
Tal como esperado, o Syriza,
partido da extrema esquerda, venceu as eleições democráticas gregas. O estado
geral de euforia da esquerda portuguesa, que incluiu também o PS pela voz de
António Costa, permitiu uns gritos de vitória e alento quanto a um resultado
semelhante da esquerda por terras de Portugal, tentando, talvez, que as
eleições gregas ajudem o PS a descolar do PSD nas intenções de voto como todos
os socialistas esperavam ao dar a vitória a António Costa no golpe palaciano de
que António Seguro foi vítima.
Mas, e há sempre um mas, os
mercados não gostaram muito da vitória do Syriza nem das primeiras medidas de
Tsipras, agora primeiro-ministro. Este decidiu aumentar o salário mínimo para
751 euros, fornecer eletricidade de forma gratuita a 300 mil famílias, parar a
privatização do porto de Pireu e das companhias de eletricidade. As reações não
se fizeram esperar. A bolsa grega vai com perdas esta semana de 32%, os juros
da dívida aumentaram e o euro sofreu uma desvalorização face ao dólar para
mínimos de há onze anos. Num país em que há milhares de funcionários públicos a
mais nos serviços, onde alguns deles não aparecem ao trabalho há anos (!!)
continuando a receber o salário, onde a subsídio dependência e a economia
paralela têm um peso enorme, tais medidas vão precisar de muito dinheiro que a
Grécia não tem.
E das duas uma, ou a Grécia
opta por dizer não pagamos e sofre as consequências naturais do incumprimento e
esgota o financiamento, ou vai aligeirar o discurso e colocar o ónus na “má
europa” que não o deixaram fazer o que queria, e que esta foi a situação que os
partidos do arco do poder lhe deixaram. Mas há um pequeno pormenor que pode ter
escapado a alguns. É que uma das primeiras posições sobre as questões europeias
que Tsipras tomou foi a propósito de um documento assinado pelo presidente do
Conselho Europeu e pelos líderes europeus que condena e responsabiliza a Rússia
pela escalada de violência e combates na Ucrânia ao darem apoio aos
separatistas. Tsipras veio dizer que não estava de acordo com o documento (é
conhecida a sua posição contra as sanções económicas aplicadas à Rússia) criando
já um primeiro incidente que é tudo menos inocente. Se por um lado a Grécia
está amarrada à europa e ao seu dinheiro, por outro a abertura à Rússia mostra
que podem tentar financiamento noutro lado. E talvez a chantagem funcione. Nem
a europa nem os seus aliados americanos querem um país amigo da Rússia mesmo no
meio do continente europeu.
Mas Portugal não é a
Grécia e os portugueses não fizeram os tremendos esforços para chegarmos a uma
melhoria que já se verifica para agora cometerem uma loucura semelhante. É que
normalmente as faturas dos devaneios da esquerda portuguesa são pagos pela
direita desde que há democracia em Portugal e António Costa já anda a prometer
tudo e mais alguma coisa de uma forma completamente irresponsável. A ver vamos
daqui até às eleições portuguesas.
Expresso de Felgueiras, ed. 149, 28 jan 2015
Etiquetas:
Eleições,
Expresso de Felgueiras,
Grécia,
Syriza
29.12.14
Um Orçamento realista.
Foi aprovado no passado dia
28 de novembro, em Assembleia Municipal, o Orçamento do Município de Felgueiras
que ronda os 44 milhões de euros. Este é o Orçamento mais realista que alguma
vez foi aprovado em Felgueiras.
Durante muitos anos foi
prática habitual a autarquia apresentar orçamentos sobrevalorizados, com obras
e promessas que permaneciam consecutivamente durante anos sem nunca serem
executadas – veja-se o exemplo da casa da juventude que esteve dezoito anos nos
orçamentos socialistas e nunca foi executada. Se por um lado isso dava um sinal
à população de que “temos vontade de fazer”, por outro lado nunca era feito o
que originava taxas de execução baixíssimas, das mais baixas do distrito do
Porto.
Contudo, o facto de determinadas
obras não estarem previstas no Orçamento não significa que não se vão efetuar,
significa apenas que durante o próximo ano não o serão, mas que sendo
necessárias serão concluídas até ao final do mandato. Estes têm sido anos
economicamente difíceis como todos sabemos, e as autarquias também sofrem com
esse esforço global de redução de despesa. As transferências do Estado para a
autarquia sofreram uma redução brutal, a receita com impostos, como por exemplo
o IMI teve uma quebra de 7,2% em relação ao ano anterior – fruto da taxa mais
baixa praticada em Felgueiras e que apesar da diminuição das receitas a
autarquia assume (do meu ponto de vista, bem) esse custo social para ajudar as
famílias felgueirenses – que fez com que Felgueiras fosse em 2013 o 17º Município,
a nível nacional, que mais receita de IMI perdeu. Mesmo assim, o Município está
em 35º lugar no índice nacional do volume de investimento em 2013, e em 25º
lugar no ranking dos melhores municípios de média dimensão quanto à eficiência
financeira. Se por um lado temos uma diminuição das transferências do Estado,
por outro temos uma muito melhor gestão financeira, comprovada pelos resultados
obtidos o que significa que os últimos Orçamentos têm seguido uma linha correta.
A oposição socialista,
na falta de melhores argumentos para votar contra – apenas os eleitos diretos
socialistas votaram contra, tendo os presidentes de junta viabilizado o
Orçamento através da abstenção – apresentam uma proposta de redução da taxa
máxima que cada município pode reter do IRS. Tal proposta apenas tem o
propósito populista de numa primeira impressão parecer favorável aos
felgueirenses. Até poderia ser se os salários de uma esmagadora maioria não
fosse baixo, em que a maioria não retêm IRS, e os que o fazem é no escalão mais
baixo. No fundo quem sairia beneficiado seriam os agregados familiares com
maiores rendimentos e, teoricamente pelo menos, com capacidade para enfrentar
os momentos difíceis. É que, feitas as contas, não se pode devolver a alguém
IRS que não liquidou e segundo o insuspeito Diário Económico “um quinto dos
contribuintes suporta mais de 70% do IRS”. Tal medida caso fosse aprovada só
beneficia os que mais ganham. Afinal o tão propalado socialismo e a preocupação
social fica pelo caminho, como se vê em Felgueiras.* Expresso de Felgueiras, 18 dezembro 2014, edição 148
Etiquetas:
CM Felgueiras,
CMF,
Crónicas,
Expresso de Felgueiras,
Orçamento,
Taxa Execução Orçamental
11.8.14
Ainda agora cheguei e já vou.
Apenas cinco semanas depois de tomar posse no Parlamento Europeu,
Marinho e Pinto, um dos dois eurodeputados eleitos pelo MPT, dá o dito pelo não
dito, e abandona o cargo para o qual duzentos e trinta e quatro mil seiscentos
e três portugueses o elegeram. Prometeu trabalhar como uma “formiguinha” (sic)
que, pelos vistos, cansou-se depressa. Nem mesmo o facto de ter dito durante a campanha
que iria para o Parlamento Europeu porque “a democracia está num processo de
degenerescência” o segurou.
Afinal, diz ele agora que “os problemas nacionais são mais importantes
que os Europeus” como se, quando ele para lá foi, não existissem os mesmos
problemas.
Mas tudo isto tem uma enorme vantagem. Os portugueses que nele votaram
perceberam o grande flop que Marinho e Pinto se revelou. As ambições elevadas
pré-eleições, tiveram novo combustível com os resultados eleitorais. Marinho e
Pinto percebeu que não podia deixar esmorecer algum do capital político que
conquistou e regressa ao país para nova missão: ser eleito deputado. O pior é
que no discurso completamente populista em que lhe é fácil o verbo, pode
enganar, desta feita, uns quinhentos mil votos imprudentes de protesto contra
os partidos tradicionais e ser eleito deputado abdicando desta vez passado umas
quantas semanas, para ser candidato a Presidente da República. É que as
eleições são seguidas e pode ir somando seguidores do populismo fácil. Marinho
e Pinto não se compromete com nada nem com ninguém, apenas protesta, e quando
protestamos em tempos difíceis, é muito fácil encontrar alguém que se reveja
nas palavras. Também não faz nada, não se lhe conhece uma medida, uma proposta,
ou outra coisa qualquer que tenha feito na Europa a favor dos portugueses, ou, pelo
menos, dos seus eleitores. A única coisa pela qual Marinho e Pinto é conhecido
é por ter tornado a Ordem dos Advogados num sindicato de protestos e de guerra
pessoal contra a Ministra da Justiça.
O
azar de Marinho e Pinto foi o timing escolhido. Tinha que ser este para a sua
estratégia pessoal, mas defraudou muitos dos eleitores que não votarão nele,
conquistando outros de certeza. Quem não deve estar a achar piada mesmo nenhuma
é o BE e a ala mais à esquerda do PS. É que nas próximas legislativas, com as
feridas ainda abertas na família socialista, haverá muita gente a protestar
através do populismo.
Crónica de opinião 11/08/2014 no bomdia.be
Etiquetas:
BomDia,
Crónicas,
Eleições Europeias,
Marinho e Pinto,
Parlamento Europeu
10.7.14
Duas carreiras que se perderam
O mundo anda cada vez mais
estranho. Não é que dou por mim a ver uma boa dezena de homens e mulheres
crescidos, de costas e sentados nas suas secretárias no parlamento europeu
enquanto se tocava o hino? De início pensei que estava a ver o meu colega
Manuel, na primeira classe. A professora, cujo nome não me recordo (não deve
ter sido grande peça, ou estou pior do que pensava da minha memória) gostava de
fazer experiências com ele. Ora experimentava uma parede, ora outra, mas ele
ficava sempre de costas de cada vez que não sabia alguma coisa. Desconfio
também que as perguntas logo no início das aulas ao Manuel, eram uma maneira
que a professora encontrou para se livrar da maçada de o ensinar. Mas quando vi
aquilo, juro que pensei que o tipo tinha chegado ao parlamento europeu, e mais,
tinha conseguido arregimentar mais uns quantos para uma seita dele. Está
provado, segundo uns profilers de umas séries televisivas, que todos os meninos
e meninas que ficaram virados para paredes em pequeninos se tornariam perigosos
antieuropeístas ou, ainda pior, perigosos nacionalistas. Daqueles da pior
espécie. Que se candidatam a um lugar, que sabem bem remunerado – qualquer
coisa entre os quinze e os vinte mil euros mês – através de uma campanha
eleitoral que custou uma enormidade de dinheiro e que depois de instalados o
melhor é virar costas ao trabalho, não vá alguém memorizar a cara deles e
dar-lhe que fazer. Depois é só arranjar um subsídio de habitação e transporte e
ir passar o fim de semana a casa com a mulher ou com os amigos. Afinal não era
o Manuel, esse a professora humilhava chamando-o de burro, variando com o
idiota de vez em quando. Estes são mesmo uns espertalhões de fato e gravata,
que se mostram contra uma europa, um espaço europeu, as instituições europeias
e depois fazem tudo para delas fazerem parte. Perante o resultado que alguns
obtiveram, como a família Le Pen em França, depois de reclamados os louros da
vitórias e de os analistas tentarem perceber o que aconteceu, o pai Pen veio
publicamente dizer à filha Pen, para ter calma que ainda era ele que mandava,
enquanto ela desejava, baixinho, que alguém servisse ao pai um chá quente e uma
corrente de ar… é que isto dos nacionalista é malta muito amiga uns dos outros
até chegar a noite das facas longas. Desconfio que a minha professora do
primeiro ano chamaria burros a alguns dos eleitores europeus.
Mas a verdade é que eu
passei ao lado de uma grande carreira de jogador da seleção nacional de
futebol. É que pelos vistos não é preciso saber jogar futebol, nem ser titular,
nem estar em forma, e estar meio perneta. E eu reúno todos esses requisitos
desde pequenino. O Manuel, meu colega da primária, era um excelente jogador e
selecionador. Era ele que selecionava os colegas da turma que iam enfrentar no
intervalo a perigosa equipa adversária da turma um. Eu era daqueles que só era
escolhido quando havia falta de jogadores e, em jogos mais importantes preferia
jogar só com dez (acho que deve ter ensinado umas coisas ao Jorge Jesus) do que
eu andar ali a estorvar. Mais crescido, e depois de recuperar desse trauma de
infância, tentei uma carreira nos juniores e, por algum motivo que desconheço
(acho que não apareceram mais no treino de captação) fui escolhido. Defesa
central disse o mister e eu achei que era uma fera. No final do primeiro treino
a que o meu pai foi assistir, enquanto regressávamos a casa disse-me com a sua
calma: “filho, acho que é melhor dedicares-te a outro desporto antes que te
aleijes ou aleijes alguém”, conselho que prontamente aceitei trocando o futebol
pelo basquetebol com muito mais sucesso. Até hoje pensei que tinha sido a mais
acertada decisão, mas ao ver a seleção nacional percebi que tinha tudo para
tirar o lugar ao Pepe, atirar-me para o chão, errar as marcações como o Miguel
Veloso ou fingir que corria como o Hugo Almeida.
Acho que o Manuel e eu
passamos ao lado de duas brilhantes carreiras. Ele no parlamento europeu e eu
na seleção nacional.* Crónica no Expresso de Felgueiras
Etiquetas:
Crónicas,
Expresso de Felgueiras
Subscrever:
Mensagens (Atom)