Esta coisa "normal" de se comparar Resultados Operacionais com Resultados Líquidos para alegadamente demonstrar resultados que não são verdadeiros... é que alhos não são bugalhos. Ou então não percebem patavina do que estão a dizer.
9.8.16
4.7.16
E foi um alívio
Neste
momento Portugal perde com a Hungria por 3 a 2. Corrijo, está
empatado 3 a 3. Mas enquanto se decide se Portugal se apura ou não
para os oitavos de final, ficamos a saber há algumas horas que o
plano de recapitalização da CGD ficará por cerca de 5.000 milhões
de euros e não pelos 4.000 milhões. Ficamos a saber que o plano de
recuperação inclui a redução de 2.500 trabalhadores através de
rescisões amigáveis ou reforma antecipada, bem como ao encerramento
de 300 balcões, a maioria no estrangeiro. A grande parte do dinheiro
será para as chamadas imparidades, ou seja, para cobrir os calotes
que não têm qualquer tipo de garantia. E isto, mais do que Portugal
estar empatado a dez minutos do final da partida, preocupa-me.
Se
por um lado vi as bancadas do parlamento solicitarem e criarem
comissões de inquérito por causa de bancos privados como o BPN, BES
e BANIF porque, no final, quem paga é o contribuinte. Aqui, num
banco do estado de capitais públicos onde, aparentemente, o problema
terá as mesmas origens que os do privado, ou seja, as famosas
imparidades, as bancadas da esquerda (PS, BE e PCP) são contra a
criação de uma comissão de inquérito para apurar a gestão e de
que forma chegamos ao maior resgate bancário da história da nossa
democracia.
Ao
contrário do que argumenta a esquerda, não se trata de uma caça às
bruxas (o BPN também o foi?), de expor o banco ao mercado (o BANIF
também o foi?), mas sim de um apurar de responsabilidades a que
todos os gestores públicos estão sujeitos por lei, e de perceber
quem autorizou, como decorreu o processo, e com que garantias, foram
concedidos os créditos que resultaram nas incríveis perdas da CGD.
E o facto de termos o ex-primeiro ministro Sócrates e o seu braço
direito Armando Vara sentirem necessidade de virem a público prestar
“esclarecimentos” não é bom augúrio.
É
que eu, cidadão contribuinte, tenho o direito de saber de que forma
é que o banco do estado foi gerido, porque motivo chegou a este
ponto, e que, tal como nos bancos privados, sejam responsabilizados
os decisores, independentemente da sua orientação política.
Entretanto dizem-me na TV que estamos perante um país “aliviado”
e mostram-me um presidente da república a comentar o jogo na zona de
flash interview. Não sei como vocês se sentem, mas entre um
apuramento manhoso, um presidente que banaliza a palavra da
instituição Presidência da República e 5.000 milhões que nos vai
custar (para já) a CGD eu estou tudo menos aliviado.
[Expresso de Felgueiras, Ed.164]
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Presidente da República
29.5.16
Interesses
I – Veio, por estes dias, o
PS Felgueiras através de um comunicado à imprensa, dar nota da sua visão e
posição sobre as contas da autarquia. Optou o PS por fazer oposição nos jornais
e redes sociais, sem direito a contraditório, extraindo de um documento técnico
apenas alguns (poucos) números menos favoráveis, em vez de o fazer na última
Assembleia Municipal – onde se absteve na votação -, local próprio para o
debate democrático e onde teria a visão global do documento e o necessário
contraditório, preferindo intoxicar a opinião publica com uma visão redutora e
deturpada da realidade.
Vejamos; não se pode falar
apenas dos impostos, que são uma parte da receita da autarquia, mas sim de toda
a receita que tem descido consecutivamente todos os anos, fruto dos cortes do
governo após a intervenção externa no país depois de anos de desgoverno
socialista. É necessário dizer que a receita total da autarquia teve, pela
primeira vez, um crescimento marginal de apenas quinhentos mil euros em relação
a 2014. É necessário informar que a despesa total teve uma diminuição de 1,7
milhões de euros e a corrente diminuiu 2,7 milhões de euros. Os munícipes
também devem saber que o passivo total da autarquia era, em 2009, ano em que o
PSD e o seu parceiro de coligação ganharam as eleições, de 23,6 milhões de
euros sendo no final de 2015 de 12,6 milhões, uma diminuição de 11 milhões de
euros! A herança socialista deixada no concelho foi pesada. Mas há mais
indicadores que, no conjunto, permitem aferir da saúde das contas da autarquia.
A poupança corrente aumentou 3,5 milhões de euros e o investimento que a
autarquia realizou foi de 9,1 milhões de euros! É que o concelho não vive
apenas de obras faraónicas, há obras em todas as freguesias do concelho, por
vezes de aparente pouca importância, mas que vão resolver os problemas de
dezenas ou centenas de munícipes.
Em jeito de conclusão. Para
quem no início do primeiro mandato herdou taxas de execução orçamental na ordem
dos 53% e em 2015 chega aos 70%, quem em 2009 tinha um prazo médio de pagamento
a fornecedores de 67 dias e hoje é de 25 dias, quem tem capacidade de
endividamento junto da banca superior a 30 milhões de euros, julgo que não será
por as suas contas conterem algum risco.
II – Ponto prévio: Sou
totalmente a favor da iniciativa privada, da capacidade de empreendedorismo, da
constituição de novas sociedades e formas de negócios, criadoras de valor e
emprego no concelho e no país. Já há muitos anos atrás contou-me um amigo, com
a experiência que a idade já lhe dava, uma situação que tinha lhe tinha
sucedido. Na altura em que era moda tentar enganar os amigos do alheio, no que
ao roubo de automóveis diz respeito, com um pequeno led vermelho a piscar sem
se ter, na verdade, o respetivo alarme, ele, numa exposição automóvel em que
estava presente uma famosa marca de alarmes, resolveu pedir ao comercial ali
presente um autocolante para colar no vidro uma vez que tinha sido assaltado e,
vejam lá, tinham-lhe partido precisamente o vidro onde estava o autocolante.
Simpaticamente o comercial respondeu que tinha todo o gosto em lhe entregar
novo autocolante, só precisava do livrete e da referência do alarme para
verificar. O meu amigo disse que ia ao carro buscar e não mais lá voltou. No
final da estória, rematou a lição que tirou “os outros são tão inteligentes
quanto eu e, por vezes, um bocadinho mais”. Não vale a pena andar com floreados
e rodriguinhos quando queremos algo, basta dizer, porque o outro já está a ver
onde queremos chegar.
E onde eu quero chegar é à criação
de uma polémica artificial à volta da falta de cursos na recém criada escola
privada, designada por “Escola Profissional do Tâmega e Sousa”. Resumindo a
coisa: a EPTS entende que os cursos profissionais que foram distribuídos pelo
ministério, às escolas que sempre tiveram cursos, como o Agrupamento da Lixa, a
Escola Secundária de Felgueiras, a Escola Profissional de Felgueiras, o
Agrupamento de Felgueiras (Lagares e Pombeiro) e o de Idães, deviam abdicar dos
cursos e das turmas a favor da EPTS! Mais, depois de uma reunião havida com
todos os diretores em que, questionados diretamente, pelo representante da
tutela se estavam na disposição de abdicarem de algum dos cursos, todos, sem
exceção, disseram que não. Posto isto veio a estratégia da desinformação, da
tentativa de atribuir responsabilidade à autarquia, do arregimentar da
população da Lixa através das redes sociais, dizendo que a medida era contra a
Lixa e mais recentemente, através de meias palavras, que é contra determinadas
pessoas.
Nada mais errado; o
Agrupamento da Lixa ficou com o mesmo número de cursos que já tinha,
assegurando, como tem vindo a ser feito, a oferta formativa. A Lixa e os
lixenses não ficam de forma alguma prejudicados! Só se compreende tal argumento
através de uma tentativa política do uso dos lixenses, apelando ao seu famoso
(e saudável) bairrismo, por parte do vereador (agora com mandato suspenso)
Bruno de Carvalho, sócio da escola privada EPTS.
Da mesma forma que a EPTS e,
especialmente, alguns sócios podem tirar ilações mais ou menos ficcionais,
também podemos todos nós entender que um vereador que no passado tanto criticou
as ações da EPF, que iria fechar, que não teria cursos, que os professores
seriam despedidos tendo-se verificado precisamente o contrário, venha agora
criar uma empresa na mesma área, sabendo como sabia, das limitações impostas
pelo Ministério da Educação. É que se não é de propósito, parece. Dizem as
regras da gestão e já agora as do bom senso, que antes de criar uma empresa é
preciso conhecer o mercado e este já estava esgotado. Mas para quem, no seu
exercício como vereador pelo partido socialista, despediu ilegalmente cerca de
uma dezena de funcionárias, causando um prejuízo à empresa municipal de cerca
de 300 mil euros e depois defende outras situações terá, com certeza, uma
agenda própria e bem definida.
Seria muito mais
benéfico ver o PS a fazer oposição nos locais próprios, em democracia, do que a
desinformar os felgueirenses. Seria também aconselhável ver o PS a defender o
concelho e não os interesses privados dos seus dirigentes a coberto de que estão
a fazer mal às boas gentes da Lixa. Essas não merecem ser usadas. Em jeito de
nota final que já vai longa a crónica. Até o timming não correu bem. Na mesma
altura em que o governo socialista tira aos colégios privados as turmas onde
existe oferta pública, os socialistas de Felgueiras queriam que fossem
retiradas turmas ao público para colocar no privado. Interessante.
[Expresso de Felgueiras, 27 maio 2016]
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11.5.16
O que vai escolher?
E estamos nós perante o
velho dilema do copo. Este está meio cheio ou meio vazio? Teríamos a abordagem
filosófica do otimismo, do pensamento de Leibniz, de Voltaire ou abordagem
psicológica associada à auto-estima?
Confesso que não consigo
enquadrar aqueles que, teimosamente - porque não acredito que alguém seja
sempre pessimista sem ir ao médico – conseguem ver o dark side de tudo o que se passa no concelho. Vem isto a propósito
do alvoroço criado em torno do estudo “Portugal City Brand
Ranking” da Bloom Consulting que, resumidamente, faz um ranking
das “marcas” das cidades portuguesas, baseado em pesquisas on-line, captadas
por uma ferramenta “Digital Demand D2” que pesca as buscas efetuadas nas áreas
de Negócios, Visitar e Viver, dos 308 municípios nas redes sociais. A esta
informação juntam uns índices estatísticos e aí temos os resultados.
As hordas dos pessimistas
animaram (mesmo que pareça um contrassenso) quando leram que Felgueiras tinha
perdido, por comparação com outros concelhos, nas áreas de Negócios e Visitar.
O ranking de negócios é
baseado nas empresas, crescimento empresarial e emprego. Não é conhecido o
número de pesquisas nas redes sociais utilizadas para aferir o lugar do
concelho de Felgueiras, mas os felgueirenses sabem que o ano de 2015 foi pior
que o de 2014 no que diz respeito à atividade empresarial, ao crescimento da
nossa indústria do calçado, e que temos uma das mais baixas taxas de desemprego
do país. Também sabem que o executivo PSD tudo tem feito para promover e ajudar
a promover, quer com iniciativas locais ou internacionais, o tecido empresarial
felgueirense, não apenas do calçado, mas da gastronomia e doçaria, vinhos e
kiwis. Ouvem-se os pessimistas dizer, com razão e lógica, nos melhores
momentos, que o mérito do sucesso é dos empresários e não por intervenção
política. Assim o é, não o sendo também quando as coisas correm menos bem. É
que para lá de todo o esforço dos empresários e da ajuda que a autarquia possa
dar, há aquilo a que os economistas chamam de Mercado, com um eme grande e
tudo, que não é mais do que um mercado das hortaliças onde todos vamos mas só
compra quem tem dinheiro ou crédito e, neste momento, os mercados de exportação
habituais mostram sinais de retração. E contra isto, não há pessimista que
aguente uma boa partilha no facebook a dizer que isto está mau.
O ranking Visitar é baseado
no número de dormidas, capacidade hoteleira e taxa de ocupação. Apesar de eu
ter quase a certeza que a maioria dos felgueirenses dorme bem, com exceção dos
pessimistas - porque no dia seguinte têm que se queixar de algo – e dos
caloiros da ESTGF, é um facto conhecido, há longos anos, que não temos unidades
hoteleiras que gerariam dormidas e aumentava a taxa de ocupação, vejam lá!
Simples, não? Pena é não termos hóteis, nem sequer móteis, para fazer subir
Felgueiras no ranking a visitar.
O terceiro e último
indicador é o Viver, baseado na “população, taxa de desemprego, criminalidade,
poder de compra, ensino superior, saúde, etc.” É do conhecimento público que
felgueiras aumentou a sua população e eleitores e, é uma fatalidade, o número
de pessimistas não convictos, estirpe pior que os convictos que pelo menos
sabem o que são. A taxa de desemprego, como já referi, é das mais baixas do
país, não há criminalidade violenta, o índice de poder de compra de Felgueiras
aumentou, segundo o INE, vertiginosamente – o último pessimista convicto que
ainda lia a crónica, desistiu agora. O ensino superior não podia estar melhor
com o reforço e afirmação da ESTGF, no panorama do Instituto Politécnico do
Porto mas também na região, fruto do excelente trabalho que tem vindo a ser
exercido pela sua presidente Doutora Dorabela Gamboa, e com algum contributo da
autarquia com as parcerias e trabalho de bastidores que tem vindo a ser feito.
Mais do que otimistas e
pessimistas, o que Felgueiras precisa é de gente orgulhosa da sua terra,
independentemente do que se fez ou não, gente que demonstre esse orgulho
através de contributos válidos, plausíveis, exequíveis. Que defenda Felgueiras
como o seu clube de futebol, independentemente deste jogar melhor ou pior. Faça a sua escolha.[Expresso de Felgueiras, 24 abr]
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10.8.15
Urbanismo
Urbanismo, “conjunto das
questões relativas à arte de edificar uma cidade” (Priberam, dicionário online, 21/7/2015). Desde logo a definição de
urbanismo nos transpõe para a arte de edificar, sendo que entendo a Arte como
algo de livre, liberdade de criar, liberdade de expressão. Se por um lado temos
essa liberdade de criação, porque de arte se trata, por outro, como todos
sabemos, embora alguns prefiram ignorar, existem inúmeras regras e vejam só,
até existe legislação que estabelece limites à arte de edificar! Sacrilégio dos
sacrilégios… a limitação à liberdade de criação!
Mesmo assim, com todos os
condicionalismos que foram surgindo à capacidade de edificação como a RAN, REN,
POOC, - a legislação é vasta - os abusos e facilitismos estão por todo o lado.
O concelho de Felgueiras não foi exceção e os abusos e falta de “arte de
edificar uma cidade” está patente aos olhos de todos os felgueirenses. Os
últimos vinte e cinco anos foram desperdiçados, deitados fora, quando estava
tudo por fazer. É o mesmo que dizer que um pintor têm uma tela em branco, sem
condicionalismos nem obrigação de tema, e decide misturar o cubismo com o
renascentismo no mesmo espaço, sem orientação nem saber o que fazer daquela
tela.
São inúmeros os casos de
edificações, urbanizações, loteamentos, sem qualquer coerência ou pensamento de
como “edificar uma cidade”. São aqueles que têm origem nos mesmos gabinetes de
engenharia, de arquitetura que antes de darem entrada já levavam a chancela de
aprovados. São os que estando meses e meses num gabinete à espera de aprovação,
se mudassem de gabinete de engenharia eram colocados na pilha de cima. E assim
chegamos ao que temos. Na tela branca foram desenhadas avenidas que afunilam,
com passeios estreitos, ocupados por árvores cujas raízes impedem um pai de
empurrar um carrinho de bebé, ou uma cadeira de rodas passar. São tão estreitos
que locais há onde no inverno não se passa com o guarda-chuva entre a árvore e
o muro que limita a habitação. E estamos a falar numa cidade “nova”, numa tela
branca que alguém decidiu borrar – também há quem goste de um jato de tinta num
pano e lhe chame Arte.
Hoje em dia, com a mudança
de executivo, vemos uma muito maior preocupação com essa questão da “arte de
edificar uma cidade”. Vemos a criação pouco a pouco – não se consegue refazer
em seis anos o que se destruiu em vinte e cinco – de espaços dedicados a áreas
específicas como o “quarteirão” das artes, que engloba a Casa das Artes, a Casa
das Torres e brevemente a antiga Escola nº1 de Felgueiras que irá ser
requalificada, onde várias gerações aprenderam a ler e escrever. O novo projeto
de ter no mesmo local as novas instalações da ESTGF e EPF criando um
“quarteirão” do conhecimento. Este tipo de estratégia tem enormes vantagens ao
concentrar no mesmo local o mesmo tipo de edifícios com necessidades comuns que
podem ser partilhadas e rentabilizadas de uma forma que se estivessem espalhadas
pela cidade não seriam.
Mas também há um muito maior
rigor pelas regras e leis que tutelam o Urbanismo. Claro que para quem cumpre
não há problemas, mas para aqueles que estavam habituados ao facilitismo, ao
fechar os olhos, ao velho jeitinho que o amigo do amigo pode fazer, as coisas
ficaram mais complicadas. Ao bom jeito de um cada vez menor grupo de pessoas,
foi mais fácil colocarem o problema na pessoa que aprova, do que tentarem
cumprir a lei e instruírem bem os processos. É sempre mais atraente o
facilitismo do que o cumprimento de regras, é sempre mais fácil tentar
denegrir, criar boatos, tentar tirar o obstáculo do caminho do que melhorar e
contribuir para a “arte de edificar uma cidade”. Mas tiveram azar ao partirem
de uma premissa errada. Nem toda a gente funciona como eles.
* Expresso de Felgueiras, Ed. 155
* Expresso de Felgueiras, Ed. 155
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