21.8.19
29.5.19
Porque votei
Confesso que quase me
tornei um abstencionista nestas eleições. Desde que tenho o direito/dever de
votar apenas me abstive uma vez, no primeiro referendo sobre o aborto, por
estar longe do meu local de voto. Em todas as outras eleições votei porque é o
meu dever/obrigação, não deixar que outros escolham por mim e porque a
liberdade de votar custou ao país e a toda uma geração um preço muito elevado
para que hoje o possamos desperdiçar. Foi esse motivo, mais do qualquer outro,
que me levou a votar e não contribuir para a marca recorde de cerca de 70% de
abstenção.
Como eu, várias outras
pessoas nutriam o mesmo tipo de sentimento nestas eleições europeias. Foi mais
por descargo de consciência que uma verdadeira motivação. E porque motivo
tantos tiveram a mesma sensação e, muito mais ainda, não foram sequer votar?
As eleições europeias são,
habitualmente, aquelas em que a abstenção regista valores mais elevados, usada
como forma de protesto ou por desconhecimento dos temas e real alcance da
votação. A forma como as campanhas eleitorais são idealizadas levam a um
alheamento da maioria das pessoas dos assuntos europeus, mesmo sendo estas as
mais importantes eleições europeias desde que aderimos `U.E. em 1986. O Brexit,
a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, e com a U.E., a crise dos
refugiados, um sistema de defesa comum, a influência crescente da Rússia nos
estados ex-URRS até agora pró-Europa, são motivos mais do que suficientes para
não deixarmos a nossa escolha nas mãos de outros. E, se isto não bastar, que
sirva de argumento os 9 milhões de euros diários de fundos comunitários que
entraram em Portugal desde 1986. O mínimo era ir votar.
Quanto aos resultados
nacionais houve para todos os gostos. Os esperados e nada surpreendentes e os
verdadeiramente surpreendentes. A vitória do PS e a estagnação do PSD não foi
surpresa uma vez que as sondagens já vinham a apontar para estes resultados,
tal como a subida do BE só apanhou de surpresa os mais distraídos. Este braço
da geringonça não fez uma campanha pela negativa, procurou introduzir os temas
da europa na campanha, mesmo que pela rama, e não entrou nos ataques pessoais e
daí tirou benefícios. Depois as três surpresas da noite eleitoral: o CDS, o PCP
e o PAN. O último beneficiou do facto de entre os partidos mais pequenos ser
aquele que mais visibilidade tem pelo deputado eleito na Assembleia da
República, que se fez notar ao longo do mandato e beneficiou de um rótulo
(errado) de partido ambientalista que não o é, cativando o eleitorado mais
jovem e o mais preocupado com as questões ambientais. CDS e PCP foram os
grandes derrotados da noite ao perderem deputados. O CDS terá que se queixar
apenas do tipo de discurso de Cristas, demasiado centralizado nas questões
nacionais, num tipo de campanha do “bota abaixo”, que lhe valeu passar para a
quinta força política nacional, tal e qual o PCP que saiu fortemente penalizado
destas eleições. O segundo braço da geringonça pagou um preço elevado por ter
andado de mão dada com o governo. Os seus militantes não perdoaram o abandono
da estratégia do partido de protesto e das causas sociais.
A ver vamos se no tempo que falta para as legislativas se conseguirá mudar a forma de fazer campanha e, sobretudo, o posicionamento do discurso face ao eleitorado.
Expresso de Felgueiras
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4.9.18
Autoridade da Concorrência processa EDP por abuso de posição dominante
| Foto SIC Noticias |
Veio
finalmente a Autoridade da Concorrência dar um sinal contra aquilo que os
portugueses dizem há anos sobre a EDP. Da decisão cabe recurso, mas já é um princípio.
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27.7.17
Pequeno apontamento sobre Bordados
Parece que há um socialista
que se insurge apenas agora sobre a criação dos Bordados da “Terras de Sousa”
defendendo uma marca “Bordados da Lixa”. Vamos por partes. A decisão foi tomada
há 15 anos quando o PS estava à frente da câmara municipal. Eu sou a favor de
tudo o que possa elevar a marca “Felgueiras” (concelho) onde se incluem,
naturalmente, os bordados da Lixa, o pão de ló de Margaride e muitos outros
produtos.
Mas aqui não se trata de “esconder” ou “menorizar” os bordados da
Lixa. Trata-se sim de dar escala utilizando uma deliberação à qual a câmara se
encontra vinculada, criando um protocolo com a ADERSOUSA para que a Casa do
Risco em conjunto com esta possam certificar todos os tipos de bordados da região
com uma marca. Felgueiras atraiu a si e concentrou na Casa do Risco a questão
dos bordados de toda a região ganhando assim escala.
Os bordados da Lixa
podem ser certificados pela ADERSOUSA/Casa do Risco, como sendo Bordados da
Lixa, tal como uns bordados de Lousada, Penafiel, ou outros concelhos o podem
fazer, ganhando escala, mas mantendo sempre a identidade e a origem da Lixa,
sobre uma marca única.
Para além desta decisão
ter merecido agora a aprovação do PS na câmara, também foi aprovado um subsídio
à CoopLixa – Cooperativa do Bordado da Lixa, para aquisição de uma viatura para
que possam estar presentes nas feiras e exposições do sector, promovendo os
bordados da Lixa e não outros.
Se isto não é apoiar os
bordados da Lixa, então não sei o que é apoio!
Não vale apena vir agora
apelar ao bairrismo da Lixa quando nunca fez nada por ela. Ou é apenas parte de
uma estratégia para ser representante da Lixa em alguma candidatura?
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19.7.17
Pequeno apontamento para memória futura
Nuno Fonseca fez a
apresentação formal da coligação PS/Livre “Sim, Acredita!”, em que é cabeça de
lista. Já tinha escrito
sobre o que eu entendo como ser independente, valorizando até o arrojo e
coragem de se declarar:
“Sou independente, numa candidatura independente. (…). Sou independente, sem dependências partidárias.”
Mas tal como aconteceu
com o MIC e Pedro Araújo, a independência durou pouco tempo. O “fenómeno” dos
independentes surgiu de uma necessidade da sociedade, cansada com o modelo
tradicional dos partidos políticos e que procura na sociedade “civil” um grupo
de elementos que, longe dos aparelhos partidários estariam livres de
“pressões”. O principio até pode atrair seguidores, mas…
Há sempre um “mas”. Os
movimentos ditos independentes não têm a máquina (militantes) que os partidos
têm para tudo o que é trabalho que envolve uma campanha e daí a realizar
coligações mais ou menos encapotadas é um passo como se viu. Independentemente
do que possam argumentar, Nuno Fonseca faltou à palavra que deu aos seus
seguidores. Aliás, na
entrevista ao Expresso de Felgueiras afirma, quando
questionado se teve contactos com o CDS ou outros partidos:
“Sim, existiram algumas reuniões. Após alguma reflexão, entendemos que esta candidatura independente interpreta aquilo que acreditamos ser o melhor projeto para as pessoas.”
Ou seja, apenas 3 meses depois da
entrevista Nuno Fonseca deixou de interpretar que uma candidatura independente
(na altura do CDS) era o melhor projeto para as pessoas.
Mas há mais. Quando questionado
quanto às razões pessoais que o levaram a ser um candidato independente afirma:
“Acreditar que é possível fazer política fora dos modelos convencionais. O desafio lançado por inúmeras pessoas de Felgueiras levou-me a abraçar uma alternativa política local, pluralista, apartidária e independente, na perspetiva de um desenvolvimento sustentado do concelho de Felgueiras, onde todos são iguais.”
Se os argumentos que para aí
andam, quanto a se com a coligação do PS/Livre deixa de ser independente podem
tentar lançar uma nuvem de névoa, a questão “apartidária” diz tudo. A
candidatura não teria qualquer partido político envolvido. Aqui Nuno Fonseca
falta pela segunda vez à palavra aos seus seguidores. Quem garante agora que
não terá elementos do PS nas suas listas, quem garante que não fica “preso” aos
socialistas de Felgueiras de quem tanto mal disseram. Aliás, Sérgio Fonseca,
irmão de Nuno Fonseca e seu principal conselheiro e estratega, escreve um texto
no Facebook (que retirou passado umas horas), criticando a incompetência dos
socialistas durante estes 8 anos, a sua incapacidade de fazer oposição e de
alterarem a liderança. Ou seja, os próprios elementos criticam abertamente um
dos partidos que suportam a coligação!
Depois disto, Nuno Fonseca é um
cabeça de lista independente numa coligação de socialista e do Livre, que, já
agora, é um partido mais à esquerda que o BE, com ideais completamente contra o
capital, empresários e basicamente contra tudo o que mexa.
Mas o mais estranho nisto tudo é que não há mal nenhum
nisto! Nuno Fonseca pode mudar de ideias e de estratégia as vezes que quiser.
Só tem é que dizer aos seus seguidores que passou a achar que está melhor com
partidos do que sem eles. E siga a romaria!
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