8.5.21

O ministro que não acerta... uma.

Eduardo Cabrita tem alguma dificuldade em acertar. Depois do caso SEF, gerido de forma completamente descabida, do desautorizar do diretor nacional da PSP, Magina da Silva, do caso das golas antifumo, junta agora o caso Zmar.

O ministro não consegue acertar nem no modo nem na forma de lidar com a situação dos trabalhadores ilegais. Primeiro temos a questão humana da ilegalidade da presença no país e das condições sub-humanas em que vivem. Da exploração, por alguns “contratadores”, que pagam valores irrisórios aos trabalhadores, cobrando das empresas agrícolas muito mais. Urge pois resolver a questão da permanência no país, da regularização dos “contratadores” porque, e é uma realidade, a mão de obra é necessária para os produtores. Segundo, a questão da saúde que, devido às condições em que vivem, é difícil conseguir gerir contágios. Terceiro, a questão do alojamento. Foi de uma falta de bom senso incrível, esta decisão de uma requisição civil de uma propriedade privada. Mesmo depois de saber da providência cautelar interposta pelos proprietários, que aconselhava prudência, transferiu os trabalhadores a meio da noite, com acompanhamento policial e arrombamento de portões. Tudo isto para que poucas horas depois o tribunal desse razão aos proprietários e tivesse que, envergonhadamente, retirar novamente os trabalhadores durante a noite.

Este é um ministro a prazo e presumo que, não fosse a presidência portuguesa da União Europeia e já teria caído. António Costa não tem mais condições para o manter.


5.6.20

Ter opinião é perigoso

Vivemos numa era em que ter opinião é perigoso. E exprimir a opinião ainda mais perigoso é. Quando o faço, estou apenas e só a manifestar a minha opinião sobre determinado assunto. Ponto. Não faço a mínima questão de arregimentar todos os que posso para a minha causa e, menos ainda, de acicatar ou dizer que quem não concorda é uma besta quadrada. Nada disso. Quem não concorda está no seu pleno direito de discordar, sem mais nada.

O problema é que hoje, é tudo a preto e branco. Se não concordas comigo é porque discordas e, portanto, és dos outros, não dos meus. Deixaram de existir as várias tonalidades de cinzas, que permitem posições aproximadas, debate, negociação, melhoria das ideias. Não. A minha, nossa, ou de quem for a ideia é a certa e não há outra que possa ter. Se não és por mim, és contra mim, já diziam os mais antigos.

Confesso que no início desta pandemia, cheguei a iludir-me com o “vamos todos ficar bem”. Não, não vamos. E não vamos porque vivemos numa sociedade intolerante, egoísta, prepotente, arrogante. Mas de um lado e de outro de qualquer barricada sobre qualquer assunto.

Confesso-me não muito esperançoso que isto mude. I’m an alien


8.11.19

Chega, Iniciativa Liberal e Livre sem tempos atribuídos no debate quinzenal

Os partidos Livre, Iniciativa Liberal e Chega, ficaram sem tempo de intervenção para o debate quinzenal, depois do BE, PCP, PEV e PS terem votado contra.
Isto acontece porque os partidos não são grupos parlamentares por só terem um deputado. De recordar que na passada legislatura foi criado um regime de exceção para o PAN que pôde assim intervir.
Vê-se que os partidos mais à esquerda perceberam que depois de eleger um deputado, este, com dose certa de populismo (veja-se o PAN), consegue fazer crescer o grupo parlamentar. O Livre teve apenas azar de ser apanhado no conjunto. 

6.11.19

Alunos em Felgueiras coagidos a assistir a aulas de religião

Segundo o JN de hoje um professor entendeu que os jovens que não frequentassem as aulas de educação moral e religiosa não poderiam ter aulas de catequese, batizados bem como não entrar em qualquer igreja católica. 
Não há nada pior que alguém que, com tiques de ditador, dispõe de princípios básicos, como o direito à liberdade religiosa? 

24.10.19

Ainda os resultados das legislativas


Finalmente estão contados os votos do círculo da emigração e apurados os resultados finais da legislativas.  O PSD perde mais um deputado no círculo da emigração e assim carimba um dos piores resultados obtidos numas legislativas. Foram maus, mas mesmo assim, fruto de alguma “garra” demonstrada nos dias da campanha, não tão maus como se fazia prever. Por outro lado, o PS obteve a vitória expectável, ficando próximo de uma maioria absoluta, que, o eleitorado não lhe quis dar.
O equilíbrio de forças que saiu destas eleições, desde cedo permitiu ver que seria muito difícil replicar a “geringonça”. Desde logo porque o mau resultado do PCP empurrava o PS para um acordo apenas com BE que, se aceitasse, ficaria em maus lençóis nas próximas eleições. Basta ver o exemplo de todas as coligações à esquerda na Europa, onde o partido mais pequeno tendencialmente desaparece. Quem quase desapareceu foi o CDS vítima do estilo mais truculento de fazer oposição de Cristas, que assumiu na noite eleitoral os maus resultados e sai de cena. Quem não saiu de cena foi Rui Rio que ainda hoje anunciou a sua recandidatura. Para já, terá que enfrentar António Montenegro, mas há quem defenda que mais candidaturas aparecerão. Eu acho que não. A oposição interna a Rui Rio não se quererá dividir pelo que presumo que apenas Montenegro quererá enfrentar Rio.
Em Felgueiras não foi exceção, e os dias dos bons resultados sociais-democratas já vão longe. Aliás, a curva é descendente e não se vislumbra nem alterações nem vontade de as fazer. Seria positivo que surgisse um novo líder, para tentar reverter a situação. Uma oposição forte obriga a uma gestão forte do executivo e isso beneficia o concelho e todos nós. Estamos a meio do mandato autárquico e, se o PSD Felgueiras se quer preparar para, pelo menos, “ir a jogo”, convém não arrastar muito o processo eleitoral interno.