10.5.21

E os do SEF estão quase safos

O Tribunal que está a julgar os três inspetores do SEF acusados do homicídio de Ihor, cidadão ucraniano no aeroporto de Lisboa, acabou por, em conjunto com o Procurador, deixar cair a acusação de homicídio para passar a acusar por ofensas à integridade física privilegiada, agravada pelo resultado. Estamos a falar de uma redução da moldura penal substancial, quando sabemos que o crime de homicídio é punível com pena de prisão até 25 anos.

A prosseguir esta linha estamos a falar de mais uma decisão incompreendida pela maioria dos portugueses, para não falar da viúva. Desconheço o processo mas para isto acontecer terá que haver dificuldade de prova, ou pelo menos dúvida, que dos atos praticados pelos inspetores resultou a morte direta e às suas mãos.

Mas isto ninguém percebe quando se trata de justiça.

8.5.21

O ministro que não acerta... uma.

Eduardo Cabrita tem alguma dificuldade em acertar. Depois do caso SEF, gerido de forma completamente descabida, do desautorizar do diretor nacional da PSP, Magina da Silva, do caso das golas antifumo, junta agora o caso Zmar.

O ministro não consegue acertar nem no modo nem na forma de lidar com a situação dos trabalhadores ilegais. Primeiro temos a questão humana da ilegalidade da presença no país e das condições sub-humanas em que vivem. Da exploração, por alguns “contratadores”, que pagam valores irrisórios aos trabalhadores, cobrando das empresas agrícolas muito mais. Urge pois resolver a questão da permanência no país, da regularização dos “contratadores” porque, e é uma realidade, a mão de obra é necessária para os produtores. Segundo, a questão da saúde que, devido às condições em que vivem, é difícil conseguir gerir contágios. Terceiro, a questão do alojamento. Foi de uma falta de bom senso incrível, esta decisão de uma requisição civil de uma propriedade privada. Mesmo depois de saber da providência cautelar interposta pelos proprietários, que aconselhava prudência, transferiu os trabalhadores a meio da noite, com acompanhamento policial e arrombamento de portões. Tudo isto para que poucas horas depois o tribunal desse razão aos proprietários e tivesse que, envergonhadamente, retirar novamente os trabalhadores durante a noite.

Este é um ministro a prazo e presumo que, não fosse a presidência portuguesa da União Europeia e já teria caído. António Costa não tem mais condições para o manter.


5.6.20

Ter opinião é perigoso

Vivemos numa era em que ter opinião é perigoso. E exprimir a opinião ainda mais perigoso é. Quando o faço, estou apenas e só a manifestar a minha opinião sobre determinado assunto. Ponto. Não faço a mínima questão de arregimentar todos os que posso para a minha causa e, menos ainda, de acicatar ou dizer que quem não concorda é uma besta quadrada. Nada disso. Quem não concorda está no seu pleno direito de discordar, sem mais nada.

O problema é que hoje, é tudo a preto e branco. Se não concordas comigo é porque discordas e, portanto, és dos outros, não dos meus. Deixaram de existir as várias tonalidades de cinzas, que permitem posições aproximadas, debate, negociação, melhoria das ideias. Não. A minha, nossa, ou de quem for a ideia é a certa e não há outra que possa ter. Se não és por mim, és contra mim, já diziam os mais antigos.

Confesso que no início desta pandemia, cheguei a iludir-me com o “vamos todos ficar bem”. Não, não vamos. E não vamos porque vivemos numa sociedade intolerante, egoísta, prepotente, arrogante. Mas de um lado e de outro de qualquer barricada sobre qualquer assunto.

Confesso-me não muito esperançoso que isto mude. I’m an alien


8.11.19

Chega, Iniciativa Liberal e Livre sem tempos atribuídos no debate quinzenal

Os partidos Livre, Iniciativa Liberal e Chega, ficaram sem tempo de intervenção para o debate quinzenal, depois do BE, PCP, PEV e PS terem votado contra.
Isto acontece porque os partidos não são grupos parlamentares por só terem um deputado. De recordar que na passada legislatura foi criado um regime de exceção para o PAN que pôde assim intervir.
Vê-se que os partidos mais à esquerda perceberam que depois de eleger um deputado, este, com dose certa de populismo (veja-se o PAN), consegue fazer crescer o grupo parlamentar. O Livre teve apenas azar de ser apanhado no conjunto. 

6.11.19

Alunos em Felgueiras coagidos a assistir a aulas de religião

Segundo o JN de hoje um professor entendeu que os jovens que não frequentassem as aulas de educação moral e religiosa não poderiam ter aulas de catequese, batizados bem como não entrar em qualquer igreja católica. 
Não há nada pior que alguém que, com tiques de ditador, dispõe de princípios básicos, como o direito à liberdade religiosa?