30.1.12

O que pode fazer pelos mediadores?


É um hábito. E é tão nosso como o fado. Quando atingidos por alguma “desgraça”, nunca é por nossa culpa, mas sim o destino que nos atinge, algo de inevitável que devemos aceitar e conformarmo-nos. Se não ficarmos conformados, sempre podemos pedir ao Estado um qualquer apoio, ou então que se alterem as leis. Somos peritos nisso – alterar leis para que melhor se adaptem à atual circunstância, ou ao nosso setor de atividade.
Foi isso que hoje ouvi dizer, novamente, da boca de Luís Lima, presidente da APEMIP.
Diz ele que as imobiliárias andam pela rua da amargura, que não vendem, que está cada vez mais difícil. São as penhoras e consequentes retomas dos bancos - 6.900 em 2011, das quais 29,9% são de promotores imobiliários – que fazem baixar os preços porque são colocadas no mercado a um preço inferior. Até ao ano passado eram os bancos porque avaliavam os imóveis muito abaixo dos preços de mercado inviabilizando os financiamentos.
Solução? Enviar um documento ao governo com propostas que passam por alterações legislativas e, no passado recente, que tivessem sido criados incentivos ao investimento na reabilitação urbana.
Não há absolutamente nada que seja feito em Portugal que não tenha que ter a cobertura do Estado? Ser empresário é ter a capacidade de risco, de empreender, de criar e implementar as melhores soluções perante os obstáculos.
No final de 2007, fiz, na empresa onde era diretor comercial, em conjunto com a equipa, uma análise da relação “valor da venda / valor financiamento / valor avaliação” para todas as transações do ano e verifiquei que o valor médio da avaliação tinha caído cerca de 3,7% desde o início do ano na nossa zona de intervenção. Medida para o ano seguinte? Fazer repercutir nos Estudos de Mercado e no melhor aconselhamento dos clientes esses mesmos valores.
Principais dificuldades? Começando desde logo pelos Angariadores da equipa que querendo fechar angariações lutavam num mercado tradicionalista contra comissões mais baixas, contratos “em aberto” e o pior dos problemas, aceitavam a comercialização por qualquer preço. Mas assim que conseguiram ver que os resultados apareciam deixou de haver problema para termos uma solução. Só assim se conseguiu quase triplicar o volume de vendas. Depois a maior de todas: não há mercado para construção nova e o foco deverá estar sempre, mas sempre no cliente particular (na generalidade, claro).
Durante todo este tempo assisti ao antecessor de Luís Lima na APEMIP, criticar a rede RE/MAX porque lançou os saldos de imóveis, porque lançou em Portugal o conceito de “Open House”. Que isso provocava um distorção dos valores de mercado, etc.. A própria “rede” da APEMIP assim como a maioria das outras redes vieram seguir a RE/MAX quando verificaram os bons resultados obtidos.
Não me recordo de alguma vez ter assistido a uma iniciativa do presidente da APEMIP a reunir com os seus associados a fazer uma análise do mercado e a indicar um caminho a seguir, a reconhecer o óbvio – os preços estavam elevados e não há mercado para habitação nova – e a implementar medidas para isso. Só que existe um problema que a APEMIP padece: a demasiada proximidade com os promotores imobiliários e os seus grandes interesses. É que, não sei se repararam, mas cerca de 30% das dações em pagamento foram feitas por promotores imobiliários.
Acho que está na hora do presidente da APEMIP perguntar o que ele pode fazer pelos mediadores e não o que estes podem fazer por ele.

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